quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Aposentadoria: Longevidade e reforma da previdência pública do governo estimulam busca por previdência privada de bancos


O aumento da expectativa de vida e a percepção de que mudanças nas regras da Previdência pública estão cada vez mais próximas têm elevado a busca por alternativas de poupança para aposentadoria. Um exemplo disso é o segmento de previdência privada aberta, que, mesmo durante a crise econômica, manteve o ritmo de crescimento.
Só neste ano, até 29 de novembro, os fundos de previdência que aplicam recursos de planos PGBL e VGBL captaram R$ 40,5 bilhões em recursos, elevando o patrimônio para a casa dos R$ 720 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nos anos de 2015 e 2016, a captação líquida alcançou R$ 40,2 bilhões e R$ 48 bilhões, respectivamente. 

"A indústria de previdência tem mostrado crescimento grande e rentabilidade forte. Apesar da crise por que passamos, ela se mostrou robusta, o que é um alento para os poupadores e para os que estão pensando no futuro, na sua previdência e na aposentadoria", afirma Ricardo Rochman, professor e coordenador do mestrado em economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao lado de William Eid Junior, professor titular e coordenador do Centro de Estudos em Finanças (GVCEF) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, Rochman liderou a elaboração do Guia de Previdência Valor/FGV 2017, que premiou ontem os melhores gestores de recursos de previdência do país.   

O levantamento analisou e classificou com estrelas 590 fundos de investimentos que aplicam recursos de planos PGBL e VGBL. O objetivo do guia, explica Rochman, é ajudar investidores a analisar o desempenho dos produtos oferecidos no mercado, além de contribuir para melhorar o planejamento para a aposentadoria. O ranking com os melhores gestores e fundos do segmento estão na edição especial da "ValorInveste" que circula hoje para os assinantes do jornal Valor.  A expectativa do mercado é que os fundos de previdência continuem crescendo. Em 2017, a Icatu Vanguarda teve seu melhor ano de captação para previdência, segundo o principal executivo, Márcio Simas. "A gente já vem notando esse crescimento nos últimos anos, mas principalmente ao longo de 2017. 

A discussão da reforma da Previdência e a situação em que o Brasil se encontra fizeram os investidores se ligarem nesse tema e se preocuparem em fazer investimentos em previdência privada, em poupar para o futuro", afirma. "Nossa expectativa é que o segmento cresça cada vez mais."   Mas, para que os fundos de previdência se mantenham competitivos no cenário de juro na mínima histórica - que torna os investimentos de renda fixa menos rentáveis -, foram necessárias algumas mudanças nas regras de alocação dos recursos, de modo a dar mais flexibilidade para o gestor buscar alternativas com maior retorno. Entre as principais alterações, destaca-se o aumento dos limites para investir em renda variável.  Com a mudança, gestores de fundos de previdência voltados para investidores qualificados agora podem aplicar até 100% dos recursos em ações. 

Para os demais perfis, o limite subiu de 49% para até 70%. Na visão dos gestores dos fundos premiados pelo Guia de Previdência FGV/Valor 2017, as alterações foram fundamentais para manter a competitividade desses investimentos.  "A flexibilização é muito positiva, principalmente com a conjuntura de redução de taxa de juros. Os produtos precisam ser mais modernos, ter alocações mais flexíveis, provendo o participante de um resultado positivo. E a reforma [da Previdência] também ajuda a conscientizar o público que a previdência complementar é fundamental", afirma Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos da SulAmérica Investimentos.  

Para Marcello Siniscalchi, diretor de gestão de investimentos do Itaú Unibanco, o resultado das alterações para a indústria é "muito positivo", já que as possibilidades de retorno aumentam. "Essa tendência [de flexibilização] deve continuar. As mudanças ajudam tanto o gestor, quanto a indústria, que tem o intuito de propiciar um melhor retorno no longo prazo. Então, acaba ajudando também o investidor", afirma o executivo.  

Os gestores ainda se mostraram otimistas em relação às consequências de uma eventual aprovação da reforma da Previdência para o segmento. Marc Forster, diretor-executivo da Western Asset Management, afirma que novas regras para a aposentadoria oficial devem permitir que os juros permaneçam em patamares baixos na economia por mais tempo, o que incentiva as pessoas a buscarem outros produtos de investimento além da renda fixa.  "A reforma passando talvez seja o fator decisivo para que tenhamos uma política monetária bem frouxa. Então, o número de investidores deve continuar aumentando, com essa perspectiva de ganhos no longo prazo", afirma. Para ele, a tendência é que os aplicadores aumentem cada vez mais os riscos de suas carteiras e diversifiquem as aplicações, diminuindo a participação em produtos com viés mais conservador, como fundos DI ou outros ativos de renda fixa.

Fonte: Valor (06/12/2017)

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