quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fundos de Pensão: Expectativa de queda dos juros beneficia renda fixa

Sistel foi uma das que se beneficiou com rendimentos de renda fixa em agosto
A queda das taxas dos títulos públicos atrelados à inflação diante da expectativa de redução dos juros básicos ajudou os fundos de previdência privada aberta a recuperar a boa rentabilidade em agosto.
As carteiras de renda fixa e multimercado sem renda variável superam o CDI no mês passado, de 1,07%. A primeira categoria apresentou retorno médio positivo de 1,30%, enquanto os fundos multimercados tiveram alta de 1,17%, segundo levantamento realizado pelas consultorias NetQuant e Towers Watson. No ano, no entanto, a rentabilidade média desses portfólios continua abaixo do CDI, de 7,68% no período.
O ganho em agosto foi impulsionado pelas aplicações em Notas do Tesouro Nacional (NTN) série B, cujo retorno é composto de juros prefixados mais a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Só no mês passado, o índice IMA-B, que acompanha o desempenho desses papéis, apresentou uma alta de 5,43%. E essa rentabilidade ainda não reflete o ajuste das taxas após a redução da Selic para 12% ao ano em 31 de agosto.
Os títulos com prazos mais longos, foram os mais beneficiados com a perspectiva de queda da taxa de juros, com o índice IMA-B 5+, composto por uma cesta de papéis com vencimento acima de cinco anos, acumulando variação positiva de 6,89% no mês.
As taxas das NTNs-B com vencimento em 2045, por exemplo, caíram em agosto de 6,17% para 5,73%, o que fez com que os preços dos títulos subissem, provocando um impacto positivo para as carteiras compostas por esses papéis quando marcadas a mercado.
É o caso do fundo Icatu Seg IPCA FIC FI Renda Fixa, composto por NTNs-B com prazo médio de vencimento de 11 anos, que acumulou no mês passado um ganho de 6,75%. "O movimento das NTNs-B em agosto refletiu uma mudança de expectativa de que o Copom (Comitê de Política Monetária) não iria mais aumentar a taxa de juros nesse ano, apontando uma queda, mesmo que modesta, da Selic", afirma Bernardo Schneider, gestor de renda fixa da Icatu Vanguarda.
Após o ajuste para baixo do juro prefixado das NTNs-B no início de setembro com o corte da Selic, as taxas voltaram a subir, principalmente nos papéis mais longos, com aumento da aversão a risco diante das preocupações com a crise da dívida soberana na Europa. "Houve uma recomposição dos prêmios, principalmente dos papéis com vencimento a partir de 2015", diz Schneider.
Depois de atingirem 5,57% em 2 de setembro, as taxas das NTNs-B com vencimento em 2045 estavam agora em 5,75%. O aumento deverá agora impactar negativamente a rentabilidade das carteiras concentradas nos papéis mais longos, que devem ter um ganho menor em setembro. No mês, até o dia 20, o índice IMA-B acumulava um retorno de 0,67%, muito aquém dos 5,43% registrados em agosto. Os papéis de até cinco anos apresentavam um retorno melhor, com o IMA-B % acumulando 1,19%. "Esses títulos ficaram um pouco caros e houve uma realização de ganhos em setembro", afirma Ronaldo Patah, superintendente de renda fixa da Itaú Asset Management.
Os fundos de previdência do Itaú foram beneficiados em agosto pela redução das taxas das NTNs-B. As três carteiras de renda fixa Itaú Flexprev XX, Itaú Flexprev Índice de Preços e Itaú Flexprev XXI tiveram retorno superior a 5,63%. Os portfólios são concentrados em papéis com prazos superiores a cinco anos.
Para Schneider, a aplicação em NTNs-B com prazo mais longo continua sendo uma alternativa interessante de proteção contra um aumento da inflação. Com o corte da Selic maior do esperado pelo mercado, os investidores também passaram a apostar em um inflação mais alta para o ano que vem. "Não vemos espaço para o juro real cair muito mais nos próximos 12 meses, talvez o Copom tenha que voltar a subir a taxa Selic daqui a um ano para colocar a inflação de volta na meta (de 4,5% ao ano)", afirma Patah.
O superintendente do Itaú lembra que esses papéis também tendem a ir bem no longo prazo com a perspectiva de convergência da taxa de juros real para níveis de países desenvolvidos.
Diante do cenário negativo para a bolsa neste ano, com o Ibovespa acumulando queda de 18,65% no ano, os investidores dos fundos de previdência privada aberta continuam privilegiando as alocações em renda fixa. As carteiras sem renda variável apresentaram aporte de R$ 3,65 bilhões em agosto, enquanto as com ações tiveram resgate de R$ 1,63 bilhão.
No total, a captação líquida dos fundos de previdência aberta somou R$ 2,02 bilhões no mês passado, totalizando R$ 14,79 bilhões no ano, um crescimento de 24,3% em relação ao mesmo período de 2010.
Fonte: valor.com.br (21/09/2011)

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